Setembro amarelo

10-09-2023

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), Portugal, em 2015, estava acima da média global de suicídios, apresentando uma taxa de 13,7 mortes por suicídio a cada cem mil habitantes.

Estatísticas assustadoras, correto? É urgente falarmos de saúde mental.

Linha SOS Voz Amiga: 21 354 4545
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   Hoje, dia 10 de setembro, assinalamos o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. 

    Reconhecido pela OMS como uma prioridade de saúde pública, o suicídio vitimiza cerca de 800 mil pessoas em todo o mundo, anualmente. Dados da Organização estimam ainda que é a cada quarenta segundos que uma pessoa coloca termo à sua vida. Em Portugal, contabiliza-se diariamente, em média, um número de três suicídios consumados e um número até 25 vezes superior de suicídios tentados. Números violentos de um problema tão grave e silencioso. 


"O suicídio e as tentativas de suicídio resultam e são sinais de grande sofrimento emocional e representam um desafio de Saúde Pública em todo o Mundo, com impactos nas pessoas, mas também nas suas famílias, na sua comunidade e na sociedade", sublinha a Ordem dos Psicólogos no documento disponibilizado "Vamos Falar sobre suicídio?", em 2021.
Serviço de Aconselhamento Psicológico da Linha SNS24: 808 24 24 24
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    O suicídio atinge qualquer idade, sendo a segunda causa de morte entre jovens de todo o mundo. Além disso, também não tem qualquer fronteira demográfica, étnica, cultual ou socioeconómica. Qualquer pessoa pode lidar, durante algum ciclo da sua vida, com comportamentos e pensamentos suicidários. São diversos os motivos e fatores de risco que podem conduzir a uma maior vulnerabilidade aos pensamentos suicidas, nomeadamente, problemas de saúde psicológica, bem como histórico de doença mental na família, falta de apoio social, acontecimentos de vida traumáticos, problemas de saúde física ou até a orientação sexual e identidade de género. 

Mas o que podemos fazer para reverter estes números? É simples...começando por nós mesmos. A Ordem dos Psicólogos aconselha primariamente a prestarmos atenção à nossa saúde mental e aos seus respetivos cuidados. Antes de reverter qualquer problema, é indispensável a prevenção do mesmo. Neste sentido, outra maneira sublinhada para prevenir que as estatísticas aumentem é prestarmos atenção, igualmente, aos outros à nossa volta, isto é, quer à nossa família, quer aos nossos amigos, quer às pessoas do nosso contexto de trabalho/escola. 

Por fim, também sublinho a promoção de campanhas de consciencialização de saúde psicológica, como, por exemplo, o "Setembro Amarelo", criada no âmbito da prevenção do suicídio e com o objetivo de quebrar tabus/mitos acerca da saúde mental pública.



E agora? Como reconheço alguém que possa estar a passar por problemas de saúde psicológica? A Ordem dos Psicólogos alerta para alguns comportamentos e possíveis sinais. Desde ameaças a colocar termo à sua vida, despedir-se de familiares/amigos até à expressão de sentimentos de desesperança e inutilidade, são alguns os exemplos de sinais de alerta a ter em conta. Além disso, o isolamento ou comportamentos agressivos também podem ser reflexo de um problema de saúde psicológica que, mais tarde, se poderá traduzir em comportamento suicidário.

Se notares que alguém apresenta estes comportamentos, mostra-lhe o teu apoio e de que não está sozinha. Mesmo que possas obter uma reação negativa (por exemplo, a pessoa com comportamento suicidário acreditar que não consegue ser ajudado e/ou recusar ajuda especializada), incentiva-a a procurar entidades que a irão auxiliar (ex: profissionais de saúde mental, médico de família, etc). É essencial mostrar empatia pelo sofrimento da pessoa, ouvi-la ativamente sem fazer juízos de valor e encorajá-la a frequentar grupos de apoio (por exemplo, grupos constituídos por pessoas que passaram pelo mesmo problema). É indispensável dar a abertura necessária para que a pessoa comunique o que está a sentir. Mesmo que seja com boa intenção, não é recomendado dares conselhos como "tens de ser forte, isso passa" ou "anima-te, todos sofremos".


Se te encontras a lidar com pensamentos e/ou sentimentos suicidas, não estás sozinho nesta luta. Há ajuda disponível e especializada para ti. 

Se te encontras numa situação de desespero e consideras que não irá adiantar comunicar o que sentes com alguém de confiança (adianta sim, prometo-te), o SNS 24 disponibiliza uma linha de aconselhamento psicológico gratuita (seleciona a opção 4), na qual o atendimento é feito por psicólogos clínicos, 24 horas por dia. Nesta linha serás atendido por profissionais preparados para te ajudar a gerir emoções em situação de crise, aumentar o teu sentimento de segurança e orientar o teu caso para outras entidades de apoio. Também podes ligar para o 112 (INEM).

O primeiro passo é procurar ajuda e entenderes que não tens de sofrer em silêncio e sozinho. A tua vida é mais importante do que qualquer coisa e há imensas pessoas que te amam e que estão disponíveis para te ajudar, mesmo que entendas que não.


   Para que nem mais uma vida se torne num número de uma estatística. 

                                                                                       Estamos nisto juntos, sempre.

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